Muito embora as alterações na legislação promovidas pela reforma tenham cunho tributário, elas podem ser vistas pelas empresas como uma oportunidade para repensar toda a estratégia, buscando capturar melhorias nos processos e implementar inovações logísticas e tecnológicas que aumentem a competitividade. No entanto, antes de começar qualquer planejamento, o primeiro passo é entender as implicações que a reforma tributária trará para os negócios.
Para definir a estratégia mais eficaz a ser adotada durante cada fase da transição, é essencial que as empresas do setor de bens de consumo compreendam que o impacto da reforma tributária será visto em múltiplas áreas do negócio, incluindo as relacionadas ao top-line como vendas, marketing, trade, revenue growth management e atendimento ao consumidor.
Essas áreas passarão por quebras de paradigmas e mudanças da dinâmica geral, alteração das boas práticas e benchmarks, com a necessidade de realizar movimentos rápidos para garantir competitividade. A área de marketing, por exemplo, precisará repensar seus processos de estratégia, mensuração e otimização, assim como seu modelo operacional.
De forma geral, nossa análise estima que 53% dos processos desses setores serão afetados significativamente pela reforma tributária. Reestruturar toda a cadeia de valor, portanto, será indispensável para as empresas. Atualmente, muitas organizações do setor de bens de consumo configuram suas operações mais com base na otimização fiscal do que na eficiência logística ou na proximidade com o cliente. Assim, redefinir essas bases operacionais será fundamental para as empresas durante a transição da reforma tributária.
A nova estrutura pode simplificar processos, permitindo que as companhias priorizem decisões voltadas para o atendimento direto às necessidades dos consumidores. A cadeia de valor deve se tornar mais fluida, possibilitando inovação em diversos pontos, desde o fornecimento de insumos até a entrega final.
*Esta é uma versão adaptada do artigo publicado inicialmente na Exame.